Sua primeira viagem, de Southampton, no Reino Unidoem direção a Nova York, começou em 10 de abril de 1912.Contudo, após quatro dias de travessia pelo Atlântico, o navio chocou-se com um iceberg e afundou depois de três horas, resultando em uma das piores tragédias marítimas da história.
A impressionante sequência de fatos que levou ao naufrágio é ainda mais surpreendente se levarmos em conta os avanços tecnológicos usados no navio. Mesmo sendo um dos desastres de maior repercussão de todos os tempos, muitos mistérios envolvendo as ações dos primeiros oficias naquela fatídica noite permanecem sem respostas, e muito provavelmente continuarão assim para sempre.
O Titanic foi o segundo de três navios da classe Olympic, os outros são RMS Olympic (1910-1935) e o HMHS (His Majesty's Hospital Ship Britannic), que afundou por causa de uma mina após dois anos de serviço. Em sua época, foram os maiores transatlânticos em operação, e os maiores na frota de 29 navios da White Star Line. Os três tinham projetos idênticos, exceto por pequenas diferenças- em sua mioria ajustes que tornaram o Titanic mais luxuoso para os passageiros da primeira classe.
Eles foram construídos como o resultado de uma rivalidade entre a White Star Line e a Cunard Line, esta última havia acabado de produzir os mais rápidos navios de passageiros em operação (o Lusitania e o Mauritania). Entretanto, o presidente da White Star Line, J. Bruce Ismay, decidiu em 1907 concentrar-se mais no tamanho do que na velocidade dos navios, o que culminou na construção desses três gigantes.
Os navios foram construídos nos estaleiros da Harland and Wollf, que havia sido contratada pela White Satr Line nas cinco décadas anteriores. A construtora de navios havia recebido um orçamento quase ilimitado para gastar no projeto, e, ao final, o Titanic e o Olympic tiveram um custo combinado de cerca de 3 milhões de libras esterlinas. A construção começou em 22 de março de 1909, apenas alguns meses após o Olympic.
Mais de 1500 homens trabalharam nos navios, mas 8 morreram durante a construção. Em um projeto que se mostraria crucial para o naufrágio, as várias placas de aço do casco foram rebitadas entre sim, já que, no início do século 20, as técnicas de soldagem não eram evoluídas o bastante para serem usadas em um navio da magnitude do Titanic..
Uma das características mais inovadoras do Titanic, e de certa forma também responsável pelo seu naufráfio, foram seus motores. Seus dois motores alternados de 4 cilindros mediam quase 12,2 metros cada, os maiores de sua espécie. Eles moviam dois propulsores de 3 hélices. Esses propulsores tinha 7,2 metros de largura e giravam em sentidos opostos, 75 vezes por minuto, para reduzir as vibrações.
Um terceiro propulsor adicional foi posicionado entre os dois principais para ajudar na eficiência. Era menor que os outros ois e usava o vapor de seus motores para girar duas vezes mais rápido. Porém, ao contrário dos outros dois, era incapaz de girar para trás, o que mostraria prejudicial quando o Titanic foi de encontro ao iceberg. A manobra desse navio era feita por um leme gigantesco e pesado, de 100 toneladas.
Ás 23h40min, do dia 11 de abril de 1912, o vigia Frederick Fleet avistou um icebrg diretamente a frente do Titanic e telefonou à ponte de comando. O contramestre Robert Hichens recebu ordens para mudar a rota. Porém, o procedimento de desvio levou mais que 30 segundos, devido a vários fatores, inclusive a incapacidade do terceiro propulsor do navio girar para trás e a tentativa de desaceleração do navio, fazendo com que o Titanic acertasse um golpe fatal no icebrg.
Certamente, teria sido até melhor se o navio acelerasse ao invés de reduzir a velocidade, já que fazendo isso ele diminuiu o seu ângulo de curva. Estima-se que, se o Titanic tivesse mantido a sua velocidade, teria passado alguns metros do iceberg fatal.
O impacto como o icebrg abriu um rasgo de mais de 90 metros de comprimento no casco da embarcação. Os rebites de ferro usados para juntar as placas de aço do navio eram frágeis e propensos a se soltarem, enquanto as placas em si eram mais fracas que o aço moderno, devido à presença de impurezas, o que fazia com que se deformassem facilmente sob a pressão do iceberg. Porém, exceto por um estrondo próximo ao ponto de impacto, houve poucas evidências de uma colisão do restante do navio, além de um leve sacudir.
A água começou a entrar pelo rasgo a uma velocidade de cerca de sete toneladas por segundo, inundando a sala das caldeiras Número 6. A equipe de engenharia trabalhou duro para apagar as fornalhas e ventilar as caldeiras antes que explodissem pelo contato com a água gelada. Os andares inferiores eram divididos em 16 compartimentos que iam de lado a lado do navio. Contudo, as divisórias não se erguiam até o topo da embarcação, fazendo com que a água que inundava cada compartimento vazasse para os adjacentes. Cinco compartimentos foram rompidos pelo icebrg, e o Titanic poderia flutuar com até quatro deles inundados.
Devido à taxa desigual de inundação, o navio virou cinco graus a estibordo poucos minutos após a colisão. Após 45 minutos, mais de 13 mil toneladas de água o inundavam. As bombas de porão podiam retirar apenas 1700 toneladas por hora, tornando aparente que o Titanic estava condenado.
A parte dianteira começou gradualmente a descer em direção ao fundo do mar.
Duas horas depois o navio estava 10º inclinados para frente. Isso aumentou consideravelmente o ritmo da inundação e, às 02h18min, a tensão se tornou grande demais e partiu a embarcação ao meio.
A metade frontal desceu lentamente para o fundo do Oceano Atlântico, enquanto a parte traseira se ergueu em uma posição vertical na água antes de coincidir com o leito do mar a 48 km/h.
Havia 2206 passageiros e tripulantes no Titanic. Destes, apenas 711 sobreviveram, embora a capacidade combinada dos 20 botes salva-vidas a bordo fosse de 1178.
Existem vários fatores aos quais podem se atribuir tantas mortes, incluindo o número inadequado de botes salva-vidas (embora acima do número legalmente estipulado para os navios em 1912), ordens mal executadas, falta de um sistema de alerta de emergência que abrangesse todo o navio e informações inadequadas fornecidas aos passageiros.
De fato, até a hora final, muitos a bordo estavam convencidos de que o navio não afundaria.
A Grande repercussão do naufrágio provocou enormes alterações nas medidas de segurança marítimas, e um conjunto de mudanças foi providenciado para prevenir que tais desastres acontecessem outra vez.
Com o naufrágio do Costa Concordia em janeiro de 2012, porém, ficou claro que mesmo após cem anos do desastre, ainda existem muitas lições que precisamos aprender.
Fonte: Revista Como Funciona (Online Editora), nº 12 pg. 66

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